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Câncer
de Mama Parte 2
Qual
deve ser então a atitude correta?
Resposta
Quer dizer que o câncer de mama tem cura?
Resposta
Há sintomas do aparecimento desse tipo de câncer?
Resposta
É possível prevenir a doença?
Resposta
Os exames feitos por aparelhos são totalmente confiáveis?
Resposta
Fazer o auto-exame das mamas é importante?
Resposta
Aparecendo o tumor, como deve ser o tratamento?
Resposta
O câncer tem cura?
Resposta
Quais as causas desse tabu?
Resposta
Quer dizer que é possível prevenir o câncer?
Resposta
Por que nem sempre isso ocorre?
Resposta
O que então a mulher deve fazer?
Resposta
É difícil prevenir o câncer de colo
uterino?
Resposta
O que é colo uterino?
Resposta
Em qual idade o câncer de colo uterino é mais
freqüente?
Resposta
Quais são os sintomas da doença?
Resposta
Dá para descobrir o câncer logo no começo?
Resposta
Qual o método mais eficiente para se fazer o diagnóstico
precoce da doença?
Resposta
De quanto em quanto tempo se deve fazer o teste de Papanicolaou?
Resposta
E em caso de aparecimento do câncer, como deve ser
o tratamento?
Resposta
Qual deve ser então a atitude correta?
O
principal é evitar o desespero e o pânico.
A prova de que uma situação destas pode e
deve ser enfrentada com tranqüilidade são os
inúmeros casos de mulheres mastectomizadas que foram
inteiramente curadas e levam vida normal.
Claro que essas mulheres tiveram a sorte ou a prudência
de submeter-se ao diagnóstico precoce, antes de qualquer
manifestação da doença, ou logo no
início de seu aparecimento. Cerca de 90% dos casos
de câncer mamário podem ser curados, desde
que diagnosticados nessas condições
Quer dizer que o câncer de mama tem cura?
Não só é possível curar.
Hoje é possível também manter a estética
feminina, através da reconstrução da
mama e mesmo de tratamento conservador, de forma altamente
satisfatória.
Da mesma forma que no caso de câncer de colo uterino,
o aparecimento de sintomas (por exemplo, dor ou presença
de tumor visível) é tardio e indica estágio
avançado da moléstia.
A detecção de pequenos nódulos (ou
"caroços") deve ser feita ainda quando
a doença está assintomática, ou seja,
quando ainda não apareceram sintomas, pois, nesta
fase, as possibilidades de cura são bem maiores.
Infelizmente, o câncer de mama, ao contrário
do câncer de colo uterino, é de prevenção
difícil porque é uma doença ambiental
e decorrente de hábitos reprodutivos.
Entretanto, a detecção precoce, isto é,
o diagnóstico do câncer em seus estágios
iniciais, é possível, tanto através
de exames feitos por instrumentos (por exemplo, a mamografia,
a ecografia ou a termografia) como por meio do exame clínico,
feito pelo médico ginecologista ou enfermeira e ainda
do exame feito pela própria mulher.
Os exames feitos por aparelhos são
totalmente confiáveis?
Os métodos instrumentais, cujo surgimento há
30 anos parecia ter trazido a esperança e a possibilidade
de diagnóstico barato e maciço para amplas
camadas da população, demonstraram, com o
tempo, não ser tão eficientes como se pensava.
Sabe-se que, dos exames mamários feitos regularmente
através de ecografia (ou ultrassom), de mamografia
(com o uso de Raio X), ou de termografia (detecção
de diferentes temperaturas sobre a pele da mama), cerca
de 15% são "falsos negativos". Ou seja,
existe o câncer, mas o exame não revela.
O inverso também é verdadeiro: de 10 a 20%
dos exames que dão positivo para o câncer são,
na verdade, "falsos positivos" - isto é,
embora o exame tenha dado positivo, a mulher não
tem câncer, o que pode levar a biópsias e até
a cirurgias desnecessárias.
Isso não quer dizer, porém, que os métodos
instrumentais não sejam úteis para um diagnóstico
definitivo, especialmente se forem acompanhados de um exame
clínico bem realizado.
É fundamental. Num país com as condições
do Brasil, o meio de diagnóstico mais eficiente é
o da apalpação das mamas, exame feito pela
própria mulher e que deve ser, aliás, um hábito
de vida constante e regular para toda mulher.
Na grande maioria dos casos, tumores com 1 a 2 centímetros
de diâmetro são perfeitamente palpáveis.Até
este tamanho são, em geral, tumores em estágio
inicial de desenvolvimento - portanto, curáveis em
90% dos casos, sem qualquer espécie de mutilação.
Aparecendo o tumor, como deve ser o
tratamento?
Dependendo da extensão do tumor, o tratamento cirúrgico
será mais conservador ou mais radical.
Tumores pequenos que não invadem os gânglios
da axila têm sido tratados com bons resultados, mediante
retirada do nódulo (ou da parte da mama abrangida
pelo tumor) e de todos os gânglios axilares.
A cirurgia é realizada com duas incisões (cortes)
diferentes, uma na mama e outra na axila. Na mesma cirurgia
a mama é restaurada com o tecido mamário remanescente.
Os resultados estéticos são bons e, do ponto
de vista da cura do câncer, idênticos aos que
se obtinha com a mastectomia radical.
Tumores maiores, ou pequenos mas com os gânglios axilares
invadidos, devem ser objeto de cirurgias mais amplas, como
é o caso da mastectomia radical. Na maioria dos casos
de mastectomia radical, pode-se realizar a restauração
da mama no momento mesmo da cirurgia, e até meses
ou anos após o tratamento inicial.
A restauração simultânea, quando possível,
tem os mesmos resultados terapêuticos que a mastectomia
isolada e bons resultados estéticos. A técnica
usada com mais freqüência é a de se restaurar
a mama, utilizando para isso gordura excedente do abdômen,
através de uma cirurgia que é muito semelhante
à plástica abdominal.
Nos últimos 10 anos tem sido possível para
tumores pequenos fazer a operação com uma
única incisão e poupar a axila através
da técnica do gânglio sentinela. Para a maioria
dessas mulheres, temos conseguido não só tratar
e curar o câncer, como também oferecer mamas,
esteticamente, melhores do que elas tinham antes. É
o prêmio do diagnóstico precoce.
O câncer tem cura?
Nem todos sabem que, nas últimas décadas,
a Medicina e outras ciências acumularam conhecimentos
suficientes para conseguir a cura de vários tipos
de câncer, desde que descobertos no início
e tratados adequadamente.
O aparecimento de novas técnicas de diagnóstico,
como a ecografia, e a concentração de esforços
de pesquisadores das mais diferentes áreas sobre
o problema do câncer aliviaram consideravelmente a
situação, nesse aspecto, em relação
a 10 ou 20 anos atrás.
Entretanto, a alta incidência dessa doença
e a irreversibilidade dos casos avançados - estágio
em que, infelizmente, é detectada a maioria deles
- fazem com que o câncer continue sendo um estigma
para humanidade e, para muitos, ainda um tabu.
A
primeira é, sem dúvida, a falta de informação.
Muita gente ainda acredita que o câncer não
tem cura. Isto gera uma atitude fatalista e leva a pessoa
a pensar coisas como: "De que adianta saber se tenho
ou não câncer? Se tiver, vou morrer dele de
qualquer maneira...".
Essa atitude de fuga, resultante do desconhecimento e do
medo, leva a pessoa a evitar saber se tem ou não
algum tipo de doença maligna em estado latente ou
inicial. E é justamente nos estágios iniciais
da doença que as possibilidades de cura são
maiores...".
A outra causa que explica tanto o desconhecimento de novas
realidades médicas quanto o sentimento de fatalismo
em relação à doença, é
a reduzida preocupação das pessoas com as
práticas preventivas de saúde.
Este é um problema de formação cultural,
mas também de grave responsabilidade governamental.
Tradicionalmente, o sistema de saúde brasileiro tem-se
voltado para curar doenças nos estágios intermediário
e terminal, e não para detê-las no início
de seu desenvolvimento ou para preveni-las. Não é
por acaso que os Centros de Saúde estão muitas
vezes vazios, enquanto os hospitais andam cheios...
Lógico.
Os dois tipos de câncer mais freqüentes na mulher
são o de colo uterino e o de mama. Juntos, eles constituem
ainda hoje as duas primeiras causas de morte por câncer
entre as mulheres brasileiras. Mas ambos podem ser perfeitamente
prevenidos e tratados.
Por que nem sempre isso ocorre?
No
caso da mulher, os problemas gerais de saúde são
agravados pelo fato de, durante séculos, os mecanismos
de atendimento médico só terem levado em conta
a função feminina de procriar, uma realidade
que ainda é dominante em nosso meio. Ao partir do
princípio de que a mulher só merece ser assistida
como alguém que procria, o sistema de saúde,
injusto e ilógico, veta-lhe o direito de cuidar da
saúde de forma abrangente e integral.
Por isso, embora haja em praticamente todas as regiões
do País oportunidades de prevenção,
de diagnóstico e de tratamento eficiente do câncer,
a doença está longe de poder ser considerada
sob controle. Ainda hoje, a maioria das mulheres ou desconhece
essas oportunidades ou não sabe como chegar à
elas.
O controle sobre o câncer ginecológico exige
uma participação estreita da mulher.É
importante que ela esteja atenta, a fim de perceber os sintomas
iniciais, e disposta a buscar periodicamente os serviços
de saúde.
Para isto, a mulher precisa ter no mínimo de conhecimentos
sobre as formas de combater a doença e, tendo estes
conhecimentos, saber usufruir adequadamente dos recursos
disponíveis. Assim, mais raramente elas serão
portadoras de qualquer tipo de câncer ginecológico
e, no caso de apresentarem a doença, terão
uma enorme oportunidade de curar-se sem seqüelas.
De todos os tipos de câncer ginecológico, o
do colo uterino é o que oferece mais amplas condições
de prevenção, diagnóstico precoce e
controle. Prova disto é que, em grande partes dos
países mais ricos, ele vem perdendo a condição
de principal causa de morte por câncer entre as mulheres.
No Brasil, entretanto, o câncer de colo uterino ainda
ocupa o primeiro lugar entre as causas de morte por câncer
em mulheres.
O
colo uterino é a porção mais inferior
do útero, e parte dele se localiza no fundo da vagina.
Tem um formato cilíndrico e possui no centro um canal,
chamado de "canal cervical", que permite a comunicação
do restante do órgão (corpo do útero)
com meio externo (através da vagina). (Veja a página
24).
Em qual idade o câncer de colo
uterino é mais freqüente?
Não há limite de idade para a ocorrência
desse tipo de câncer, mas a faixa de maior incidência
vai dos 35 anos aos 55 anos.Sabe-se também que seu
aparecimento é mais freqüente e, possivelmente,
mais precoce, entre as mulheres que iniciaram muito cedo
a atividade sexual.
Altas incidências estão relacionadas também
com o grande número de parceiros, com a promiscuidade
e a falta de higiene na prática sexual. Isto explica
sua altíssima incidência, por exemplo, entre
as prostitutas e a raridade de ocorrência entre as
mulheres que nunca tiveram atividade sexual.
De alta periculosidade quando diagnosticado tardiamente,
o câncer do colo uterino é perfeitamente prevenível
e curável quando tratado precocemente. Mas não
se deve esperar o aparecimento de sintomas para submeter-se
a um exame de diagnóstico precoce.
Por uma razão muito simples: os sintomas dessa doença
só aparecem em fases muito tardias. Na verdade, uma
série de doenças são precursoras do
câncer do colo. Uma delas é o condiloma, conhecido
popularmente como "crista de galo". Outras são
o herpes genital, as feridas no colo e os processos infecciosos
crônicos. Se não forem tratadas a tempo, estas
doenças podem evoluir para o câncer.
Sim,
e isto é muito importante. O câncer de colo
uterino é um dos poucos que permitem realmente realmente
a prevenção. Uma vez tratadas adequadamente
as doenças que precedem seu aparecimento - como os
processos inflamatórios e suas conseqüências
-, dificilmente ele aparecerá. Isto pode ser feito
através de exame ginecológico anual, prática
recomendável a todas as mulheres que estejam em atividade
sexual.
Qual o método
mais eficiente para se fazer o diagnóstico precoce
da doença?
Dos vários métodos disponíveis para
o diagnóstico precoce do câncer de colo uterino,
o mais simples, mais eficiente e, portanto, o mais recomendado,
é o teste de Papanicolaou.
Este exame consiste na simples coleta de células
de parte vaginal do colo de útero, com a ajuda de
uma pequena espátula. A coleta não dói
nada e pode ser feita durante o exame ginecológico
rotineiro. O material recolhido é analisado depois,
com ajuda de um microscópio, o que permite saber
se existem células cancerosas no colo uterino.
Se este material for suspeito, novos exames serão
realizados, até chegar-se a um diagnóstico
definitivo da existência do câncer ou pré-câncer,
sua localização, profundidade, extensão
e malignidade.
Mais importante, o teste de Papanicolaou permite identificar
estágios pré-cancerosos, que diagnosticados
e tratados oportunamente irão evitar o desenvolvimento
posterior do câncer
Ainda se discute, entre os médicos, a freqüência
com que as mulheres, em condições normais
de saúde, devem fazer este exame. Mas é recomendável
um exame a cada dois anos, para as mulheres com vida sexual
ativa, a não ser que existam condições
de maior risco. Neste caso, a coleta deve ser feita com
mais freqüência, uma vez por ano.
E em caso
de aparecimento do câncer, como deve ser o tratamento?
Embora possa variar de mulher para mulher, o tratamento
dos casos precocemente diagnosticados é, de modo
geral, muito simples, consistindo, na maioria das vezes,
em cauterização do colo do útero. Alguns
casos exigem a retirada de partes do colo uterino ou até
mesmo de todo o útero.
Mas são formas de tratamento que raramente apresentam
complicações, não deixam seqüelas
e, ao contrário do que muitas mulheres temem, em
nada interferem na vida sexual ou nas condições
hormonais da paciente. Neste estágio, a cura do câncer
atinge praticamente 100%.
É claro que, mesmo quando diagnosticado tardiamente,
o câncer de colo pode ser tratado. Entretanto, as
possibilidades de cura nesses casos avançados são
bem menores e a terapêutica torna-se, em geral, complexa,
envolvendo cirurgias mais radicais, com outras formas de
terapêutica, como a radioterapia.
Não são pequenas, portanto, as possibilidades
de se evitar o aparecimento ou a evolução
do câncer de colo uterino. Mulheres habituadas a fazer
revisões ginecológicas periódicas e
a cuidar-se adequadamente jamais serão portadoras
desse tipo de doença.
Mesmo mulheres que constatarem possuir o câncer de
colo em sua fase inicial, uma vez tratadas, têm total
chance de cura e de vida normal.
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